Tudo aconteceu na tarde de 20 de setembro de 2024, na zona rural de Lutzville, no Cabo Ocidental, na África do Sul. O menino Khwezi Jantjies, de 6 anos, caminhava com a mãe, Magrieta Jantjies, perto da cerca da fazenda de Christoffel Johannes Stoman, de 70 anos.
Segundo a declaração da mãe à polícia, o menino pegou laranjas que estavam caídas no chão, perto da cerca. Foi aí que Stoman teria aparecido, gritado com eles e acusado a criança de roubo.
A mãe afirma que o fazendeiro entrou na bakkie, sua caminhonete, e dirigiu direto contra o menino. O veículo atingiu Khwezi e passou por cima dele, fraturando as duas pernas. A mãe não foi atingida, mas disse que viu tudo acontecendo enquanto gritava.
O menino foi levado primeiro para o Hospital de Vredendal, depois transferido para o Hospital de Paarl e, por fim, para o Hospital Infantil Red Cross, na Cidade do Cabo, onde passou por cirurgia.
Stoman foi preso no mesmo dia e acusado de duas tentativas de homicídio e direção imprudente e negligente. No depoimento, de acordo com promotores, ele teria dito que “faria de novo” e não demonstrou remorso em tribunal.
No tribunal, a versão da defesa foi diferente. A esposa de Stoman, Magdalene, testemunhou que viu o menino com a mão por dentro da cerca e pediu ao marido para parar. Ela disse que não sabe explicar como a criança acabou debaixo do veículo. A defesa também citou o câncer de próstata avançado de Stoman, alegando que ele teria apenas seis meses de vida. O magistrado, porém, observou que o próprio Stoman não subiu à tribuna para falar de suas condições pessoais.
A fiança foi negada pelo Tribunal de Magistrados de Vredendal em setembro de 2024. O magistrado afirmou que o Estado tinha um caso forte contra ele. Um recurso ao Tribunal Superior do Cabo Ocidental também foi negado.
O caso saiu do tribunal de magistrados e foi para o Tribunal Regional de Vredendal, onde o julgamento foi marcado para 19 e 20 de março de 2025. Em fevereiro de 2025, foi adiado para a produção de laudos periciais sobre as fotos da cena do crime.
Fora do tribunal, o caso gerou revolta. Mais de 1.500 moradores de Lutzville assinaram uma petição contra a soltura de Stoman, e houve protestos em frente ao tribunal. A Organização de Desenvolvimento Rural e de Trabalhadores Rurais e o partido EFF condenaram o ocorrido e pediram justiça.
Até maio de 2026, os últimos registros públicos mostravam Stoman ainda em custódia, sem confirmação de veredicto. O julgamento marcado para março de 2025 não teve resultado divulgado abertamente na mídia.
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